quarta-feira, 16 de março de 2016

As Senhoritas de Amsterdã, Martine & Louise Fokkens


Este ano resolvi criar vergonha na cara e ler alguma coisa. Percebi que o que eu mais vinha lendo ultimamente eram HQs, não que isso seja algo ruim, mas eu sentia que eu precisava ler algum livro. Queria ter me organizado para ler algum livro (e até comprei mais alguns) nos meses em que morei na Irlanda e não li nada. De volta ao Brasil, retomando aos poucos minhas coisas me dei conta mais uma vez da quantidade de livros que tenho e que não dei atenção para mais da metade. Mas vamos ao que interessa...

As garotas da vitrine Martine e Louise Fokkens, gêmeas idênticas nascidas na Holanda durante a Segunda Guerra Mundial, tornaram-se, ao longo de mais de 50 anos como prostitutas na capital do país, verdadeiros ícones do De Wallen – o famoso bairro da Luz Vermelha de Amsterdã.Com roupas sempre combinando entre si (compram tudo duplo), passaram a ser conhecidas dos moradores e comerciantes das redondezas: Louise, impetuosa e extrovertida; Martine, calma e tranquila; ambas têm filhos, além de serem avós e até bisavós. Prostituíram-se (Louise primeiro) por volta dos 20 anos, quando já eram mães, incentivadas pelos maridos e pressionadas por necessidades financeiras. Aos poucos, livraram-se dos companheiros exploradores e dos cafetões e abriram seu próprio e pequeno bordel.


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Fiquei sabendo da existência numa época em que trabalhei em uma agência digital que prestava serviços a L&PM, achei a história interessante. Originalmente tinha comprado o livro para ler no voo de ida pra Irlanda, isso em julho de 2014. O livro atravessou o oceano, estacionou na minha estante e ali ficou. Não li. Pra ser sincero, sequer eu tinha aberto ele desde então. Atravessou o oceano de volta e foi pra cima de uma pilha de coisas e outros livros e quadrinhos. Ficou ali pegando pó até duas semanas atrás eu jogar ele dentro da minha mochila e me doutrinar a ler o livro até o fim. 
Não seria tarefa muito difícil, já que todos os dias passo entre vinte e trinta minutos dentro de um ônibus entre ida e volta do trabalho, é um tempo razoável para ler qualquer coisa.

Poderia ser um livro linear, onde narra toda (ou parte da) história de Martine e Lfok_01couise Fokkens, mas não é. Felizmente. Livros lineares tendem a ser maçantes e desnecessariamente explicativos, contando detalhes irrelevantes e esquecendo de contar a história. As Senhoritas de Amsterdã é todo feito na forma de relatos das autoras, o que dá um tom todo especial e de uma leitura tranquila e extremamente agradável.

Acredito que tenha sido justamente isto que tenha me conquistado tanto e tenha me inserido dentro da história, ou melhor, das histórias. Me sentindo dentro daquela ambientação de Amsterdã da época (ainda que da cidade até hoje eu só conheça o Aeroporto de Schiphol), imaginando cada personagem ali descrito e aquilo que mais me faz apreciar uma leitura: imaginar as vozes dos personagens. Eu sei, isso soa um pouco estranho, mas para que a minha experiência de leitura seja completa e prazerosa eu preciso que isso aconteça. Ao menos dentro deste gênero literário.

São pouco mais de 200 páginas em que se tu tiver algum tempo disponível para dedicar exclusivamente a leitura, se consegue terminar em coisa de uma ou duas horas. Eu levei duas semanas por ler somente no ônibus, graças ao meu tempo escasso durante a semana.

Se vale a pena? Bem, se tu não te incomoda com este tipo de narrativa, gosta do tema, é uma leitura bastante interessante. Só não pegue o livro esperando algo extremamente aprofundado e com riqueza de detalhes, com uma história pomposa e cheia de glamour porque acredito que não fosse nem este o propósito do livro, sendo apenas um apanhado de memórias daquelas que juntas somaram mais de 100 anos prostituição no Bairro da Luz Vermelha de Amsterdã.
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