segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Um Perdido em uma Noite Escura


 Domingo, 21h37 o telefone de Geraldo dá um toque: 
 "Filho, acho que entrei na rua errada. Me liga. Beijos, papai". Dizia o SMS de Astor
 - Puta merda, Marília, meu pai se perdeu!
 - Como assim, Geraldo? Como tu sabe?
 - Recebi um SMS do velho agora…
 - E o que dizia?  
 - Que ele entrou na rua errada… Vou ter que ir buscar o velho.
 - Calma, Geraldo… Só liga pra ele e vê onde ele está, quem sabe dê para ajudar…
 - Será? Vai que ele se apavora mais, acho que vou sair e procurar ele.
 - Mas tu nem sabe onde ele tá. Liga antes.
 - É mesmo, vou ligar… Geraldo ligou uma, duas, cinco vezes e nada de o pai atender.
 Começava a se preocupar, fazia uns quinze minutos desde que o pai tinha mandado um SMS e não tinham mais mantido contato. 
 - Não adianta, Marília, ele não atende. E se ele foi assaltado? E se ele se perdeu ainda mais?
 - Teu pai é um cara esperto, relaxa. Ele deve ter encontrado um posto de gasolina e pediu informação.
 - Bem, pode ser também.  Vou tentar ligar mais uma vez. Antes de começar a discar o número do pai, chega outro SMS:
 "Filhão, papai não ouviu o telefone tocar, o que tu queria mesmo?
 - Cacete, mas que velho pirado… Porque não me liga ao invés de me mandar SMS? E como assim o que eu queria? Ele não queria ajuda para achar o caminho?
 - Liga pra ele. Agora é possível que ele atenda.
 - É verdade… Tomara. E Geraldo discou o número do pai.
 - Alô! Alô! Alô! Aqui é o Astor, eu estou perdido, não posso falar agora, tenho que achar o caminho para…
 - Pai, espera! Sou eu, Geraldo, teu filho! Quero te aju...
 E Astor desligou o telefone.
 - Acredita que ele desligou o telefone na minha cara?
 - Jura? Poxa…
 - Vou insistir… Quando começou a discar o número do pai, outro SMS:
 - Filho! Oi! Estou aqui na frente da tua casa já, achei o caminho!
 - Finalmente! Geraldo respirava aliviado.
 Astor entrou. Conversaram por horas. Deram boas risadas de tudo que aconteceu, ainda que Astor não tinha entendido nada da parte que o filho ligou para tentar ajudar e ele acabou desligando o telefone. Geraldo prometeu comprar um GPS para o pai, que dizia não precisar de tecnologia alguma para encontrar o caminho de casa ou de qualquer outro lugar. 
 Meia hora depois que Astor tinha saído, o telefone de Geraldo toca:
 - Filho! É papai! Acho que escolhi a rua errada. O que eu faço? Dizia um novo SMS.

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