terça-feira, 24 de julho de 2012

Carnage

Um filme absolutamente brilhante.
Quatro grandes atores — Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz e John C. Reilly, ou seja 4 Oscars e 12 indicações ao prêmio — e um grande diretor, Roman Polanski. Para completar, um esplêndido texto teatral de Yasmina Reza que combina à perfeição com o estilo intranquilo do diretor. Dois casais se reúnem para conversar educadamente sobre a melhor forma de reparar uma briga entre os filhos — um bateu no outro com um galho de árvore. No entanto, a necessidade que a politicamente correta Penelope (Jodie Foster) vê de que o agressor peça desculpas, alonga a conversa e as boas maneiras expostas de início dão pouco a pouco lugar a algo ainda mais humano e irracional. Impossível resumir numa sinopse todos os assuntos tratados. O quarteto vai da criação de hamsters à indústria farmacêutica, das tulipas aos direitos humanos.
Em registro tragicômico, o verborrágico Deus da Carnificina (Carnage, 2011) esfrega na cara do espectador constantemente “o que somos enquanto espécie”, e só não cede a quaisquer inclinações moralistas porque preenche a instabilidade com um humor sutil, amplificando alguns desdobramentos pela via do patético. O embate “casal vs casal”, motivado inicialmente pela briga dos filhos, logo se vê menor ante expedientes mais, digamos, reveladores, como a ética (ou a falta dela) de quem representa infratores, o pseudo-engajamento de alguns preocupados com a situação africana, a inércia de homens que escondem temperamento explosivo sob a aparente calma, e mulheres que precisam de algumas doses para dizer o que pensam.

Um comentário:

  1. O filme parece monótono, a princípio, mas cada intenção de desistir dele é abafada pela vontade de saber o que vem depois. Muito bom. :)

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