terça-feira, 23 de agosto de 2011

Entre cenouras e discussões de relação

- Uma cenoura Abê, tem certeza?

- Claro querida, porque não?

- Sei lá, todo mundo tem uns fetiches mais...

- Comuns?

- Isso, comuns.

- Pode até ser mas, sei lá, cenouras sempre me despertaram um peculiar interesse.

- Ihhhhh...

- Como é?

- Nada, eu só disse "ihhhhh".

- E o que tu quis dizer com esse "ihhhhh"?

- Nada, foi só um "ihhhhh", larga de ser bobo homem.

- Bobo nada, Maria Angélica, tu quis dizer alguma coisa.

- E quis mesmo.

- O que então?

- Ihhhhh, oras. Um "ihhhhh" é sempre um "ihhhhh".

- Não senhora, um "ihhhhh" pode representar tanta coisa...

- Tanta coisa tipo o que?

- Surpresa, isinuação...

- Só isso?

- Como só isso?

- Só isso, oras.

- Abelardo, porque pra ti tudo tem que ter uma explicação mais complexa ou mais detalhada?

- E porque tu sempre tem que falar dos meus fetiches com esse "ihhhhh" insinuando alguma coisa?

- Eu não insinuo nada, só acho que tu exagera um pouco as vezes.

- Eu exagero? E aquela vez que tu inventou de encher meu corpo de salame, queijo e...

- Ah, era só uma tábua de frios erótica, oras...

- Mas é nojento.

- Nós nos conhecemos num sushi erótico, lembra Abê?

- Ah, mas daí é diferente.

- Diferente porque?

- Porque é uma mulher e...

- Que coisa mais machista, Abelardo.

- Posso concluir?

- Pode.

- Então, mulher não é tão nojento quanto homem, é mais limpinha, essas coisas...

- Tu quer dizer que tu não toma banho regularmente?

- MariAngélica, não tenho mais doze anos, é óbvio que eu tomo banho todos dias.

- Seeeeei...

- Porque tudo que eu digo tem que virar deboche, hein?

- Como assim, tudo que tu diz?

- Primeiro foi aquele "ihhhhh" agora esse "seeeeei".

- ...

- Não vai dizer nada?

- Não.

- Porque?

- Porque? Porque cada coisa que eu falo tu toma como ofensa.

- ...

- ...

- ...

- ...

- Meu bem... benzinho... vamos esquecer essa discussão toda? Não estamos chegando em lugar algum.

- Tem razão fofo, a gente ta aqui com um propósito e acabou discutindo a relação por bobagem.

- É! Nem lembro porque começamos tudo isso.

- Por causa das cenouras, lembra?

- Ahhh sim, é mesmo, as cenouras.

- É.

- Pensou no assunto?

- Pensei.

- Então, vai te vestir de cenoura para mim essa noite?

- Pode ser... Mas tem uma condição.

- Qual?

- Tu te veste de rabanete qualquer dia desses?

- Tudo bem.

- Jura?

- Juro. Vamos bsucar a fantasia de cenoura então?

- Vamos! Te amo, Abê!

- Também te amo, Gélica!

Nenhum comentário:

Postar um comentário